Como ficam seus investimentos com mais um corte na Selic?

O Comitê de Política Monetária do Banco Central surpreendeu o mercado ontem ao cortar em 0,75 ponto percentual a taxa Selic. Com isso, o juro básico brasileiro renovou seu menor patamar histórico, passando a 3,00% ao ano. No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom deixou as portas abertas para mais um corte, o que está em linha com a projeção contida no último relatório Focus que aponta a Selic em inéditos 2,75% ao final de 2020. Cá entre nós, se lá em 2016, quando nossa taxa de juros estava em 14,25%, alguém te dissesse que nos próximos anos ela poderia cair para níveis de países desenvolvidos, você acreditaria? É possível argumentar que parte dessa queda se deve aos impactos ainda desconhecidos da pandemia do coronavírus na economia, que fez despencar a demanda dos consumidores pela grande maioria dos bens e serviços.


De qualquer forma, os anos se passaram e aqui estamos, com um juro real – aquele que desconta a inflação – muito próximo de zero. Como já disse aqui em outra oportunidade, juros mais baixos costumam ser uma ótima notícia para o país, mas também têm um impacto direto nos seus investimentos. Isso acontece porque a Selic é a taxa de referência para o rendimento dos títulos do Tesouro Direto, poupança, CDBs, LCIs, LCAs e outras aplicações de renda fixa. Com o novo corte nos juros, o investidor não perde dinheiro, mas terá uma rentabilidade menor em todas estas modalidades. Veja o exemplo: Um fundo DI que cobra taxa de administração de 1% e que rendia o mesmo 1% líquido ao mês na época em que a Selic estava em 14,25%, hoje rende cerca de apenas 0,25%, superando por pouco a caderneta e ficando levemente acima da inflação. Você pode se perguntar então se existe algum tipo de investimento que se beneficia dos sucessivos cortes de juros. A resposta é sim, e está na renda variável. Ao menos em teoria. Em condições normais, a medida ajuda a reduzir os custos dos empréstimos e, consequentemente, incentiva o consumo e novos investimentos, o que costuma ser boa notícia para boa parte das ações listadas na B3. O problema é que hoje não vivemos em condições normais. Enfrentamos um inesperado surto de um vírus que vem dizimando vidas e comprometendo qualquer possibilidade de crescimento da economia em 2020. Para se ter uma ideia, enquanto as projeções do relatório Focus apontam para uma queda de 3,76% do PIB brasileiro neste ano, já há especialistas falando em uma retração de até 7%.


Chances de uma recuperação mais robusta das ações

Com o fechamento do comércio de serviços não essenciais por conta do combate à Covid-19, a demanda de muitas empresas que negociam ações na Bolsa despencou, o que já pode ser observado a partir dos balanços bem mais fracos referentes ao primeiro trimestre. O resultado prático disso, de modo geral, é reduzir as chances de uma recuperação mais robusta das ações no curto e médio prazo, depois da queda de mais de 30% do Ibovespa desde o pico registrado no início do ano. Por outro lado, isto não significa que não existam boas oportunidades disponíveis não só na B3, mas em todo o mercado de capitais brasileiro. Significa apenas que, em meio a este novo e inédito cenário, o investidor deve garimpar melhor os ativos visando a montagem de uma carteira diversificada e balanceada, alinhada aos seus objetivos financeiros. Nossa missão aqui no BTG Pactual digital é ajudá-lo neste processo. Tenha em mente apenas que investir é, antes de mais nada, um processo que requer paciência e disciplina. Evite entrar em pânico por conta de prejuízos momentâneos. A parte boa da travessia em tempos de volatilidade acima da média é que, se feita de forma adequada, te leva a um lugar maravilhoso! Para saber mais, assista a live especial que aconteceu ontem em nosso canal do YouTube onde alguns de nossos especialistas comentaram os possíveis desdobramentos da decisão do Copom.




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