Suzano busca US$ 750 milhões com emissão sustentável inédita para o Brasil


A Suzano captou 750 milhões de dólares, o equivalente a quase 4 bilhões de reais, com sua primeira emissão de “bônus sustentabilmente atrelados” — numa tradução livre e feia para sustainability-linked bonds. Esse tipo de papel não é inovador apenas para companhias brasileiras: trata-se de uma modalidade ainda nova no mundo. A emissão foi concluída nesta quinta-feira, dia 10, e seu valor ainda não era conhecido.


O custo dessa dívida está atrelado a compromissos de melhorias em sustentabilidade, com metas e prazos específicos firmados com esses credores. Mas o uso do dinheiro, contudo, não precisa estar comprometido com esses projetos. A companhia fica livre para dar a destinação que achar melhor aos recursos.


Essas são as principais diferenças em relação aos “bônus verdes” — os green bonds. Nessas operações, o dinheiro tem como finalidade projetos que podem ser enquadrados como sustentáveis. O recurso fica carimbado — ainda que na prática, a flexibilidade financeira obtida permita movimentações paralelas.


Conforme a Capital Reset, especializada em notícias de negócios do universo ESG e que antecipou o movimento da companhia de papel e celulose, a Suzano se comprometeu a cortar suas emissões em 15% até 2030, a contar de 2015, ano da assinatura do Acordo de Paris. Na comparação com 2019, significa um ajuste de 10%. Há verificações periódicas e metas intermediárias. Caso a companhia não consiga cumprir o combinado, terá um aumento de custo a partir de 2026.


Os papéis terão prazo de dez anos e a taxa final ficou em 3,95% ao ano, abaixo da meta inicial (entre 4% e 4,5% ao ano). Os coordenadores líderes foram BNP Paribas, Bofa Securities, Credit Agricole, J.P. Morgan, Mizuho, Rabo Securities e Scotiabank. O sindicato para distribuição inclui ainda Goldman Sachs, Morgan Stanley, MUFG, Santander e SMBC Nikko.


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