Rumo capta US$ 500 mi em ‘green bond’ com demanda de quase 5 vezes


A Rumo, maior empresa de transporte ferroviário do Brasil, fechou há pouco sua primeira emissão de ‘green bond`s com uma demanda quase cinco vezes maior que a oferta. No total, a companhia levantou 500 milhões de dólares, conforme o previsto, com prazo de sete anos e uma taxa pré-fixada de 5,25% — dentro da indicação sugerida para a operação.


Os papéis verdes precisam ter a indicação de uso estabelecida previamente para garantirem esse selo. No caso da Rumo, o prospecto da oferta dos papéis indicava modernização da ferrovia, o que amplia eficiência e reduz consumo de combustíveis.


No fim de maio, o governo federal antecipou a renovação do contrato de concessão da malha paulista da empresa, o que destravou o investimento de duplicação desse trecho — movimento esperado desde a fusão com a ALL, em 2014. O projeto, que consumirá investimentos entre 5 bilhões e 6 bilhões de reais, pode na verdade mais que duplicar a capacidade, passando das atuais 35 milhões de toneladas anuais para 75 milhões de toneladas. A companhia já deu entrevistas nas quais prevê a possibilidade de chegar a 100 milhões de toneladas anuais, considerando ganhos de eficiência com investimento em tecnologia.


Em maio, a Rumo também concluiu uma emissão local, de 800 milhões de reais em debêntures. Embora tenha um projeto parrudo pela frente, a expectativa do mercado é que a companhia possa aproveitar a boa safra de captações — e consequentemente o reforço de sua liquidez — para recomprar (ao menos parte) de uma emissão de 750 milhões de dólares feita em 2017, com taxas bem mais salgadas, de 7,38% ao ano e que vencem em 2024.


Essa foi a primeira emissão verde do Grupo Cosan, que opera em outros setores com potencial para esses títulos, como a Raízen Energia, produtora sucroalcooleira controlada em sociedade com a Shell.



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