Participar ou não de IPOs? Gustavo Cerbasi explica quais cuidados tomar


Recentemente houve um aumento significativo no número de companhias que se habilitaram para tornarem-se empresas negociadas publicamente, através da Bolsa de Valores. Este processo é conhecido como IPO (Initial Public Offering ou Ofertas Públicas Iniciais de Ações).


Afinal, participar de um IPO vale a pena? Quais cuidados o investidor iniciante deve ter?

Este é o tema do artigo e hoje.


Finalidade de um IPO e formação de preço


Por meio de IPOs, as empresas podem:

  1. a) viabilizar a expansão das atividades, levantando recursos de forma barata e passando a ter acionistas que compartilham seu risco (conhecido como oferta primária); ou

  2. b) direcionar o recurso aos sócios da empresa que estejam se desfazendo de parte ou da totalidade da sua participação (oferta secundária).


Estas empresas contratam um banco de investimentos para estruturar a colocação das ações na bolsa e dimensionar um preço a oferecer ao mercado.


Neste processo, é feito um anúncio público em jornais, grandes portais de notícias, instituições financeiras e no próprio site da B3, convidando os investidores para reservarem suas cotas, até determinada data.


O papel do mercado é avaliar se o preço oferecido é compatível com as suas perspectivas. A grande alta nos preços dos papéis, observada em alguns IPOs, não se deve necessariamente à qualidade de suas respectivas empresas, mas sim ao apetite de muitos investidores pela aquisição de papéis. Resta a quem fica de fora participar na estreia no pregão, pressionando o preço para cima com seus lances de compra.


Mesmo quando a empresa adota medidas para tornar públicas suas informações, permitindo que o mercado faça análises positivas sobre o negócio, existe a possibilidade do IPO ser um fracasso em termos de rentabilidade se o preço pedido pela empresa para suas ações for muito elevado. Se o investidor pagar caro, sua rentabilidade estará comprometida.


Riscos envolvidos


Participar de uma oferta pública inicial de ações, ou IPO, não é difícil. Basta encaminhar à sua corretora o pedido de compra dos papéis dentro do prazo de reserva. Porém, o fato do processo ser simples não significa que está livre de riscos.


O risco assumido ao investir em uma oferta pública primária, aquela em que a empresa estreia na bolsa, é sensivelmente superior ao de investir em papéis que já são previamente listados na B3.


Como o investimento em ações de qualquer empresa, seria fundamental que o investidor analisasse cuidadosamente os projetos da companhia, seus riscos setoriais, a política de governança corporativa, históricos de sucesso e insucesso e os efeitos destes fatores no desempenho de suas ações.


Uma empresa estreante não possui histórico a oferecer, uma vez que era uma empresa de capital fechado. Para piorar, consultores e analistas ficam proibidos de emitir opinião sobre a empresa a partir do dia em que ela registra oficialmente o pedido de lançamento até um mês depois da estreia.


Conclusão


Não existe uma regra definitiva sobre entrar ou não em um IPO. Para cada empresa existe um cenário avaliado de acordo com o modelo do negócio, perspectiva de crescimento e preço ofertado. Em um IPO existem muitas dúvidas, incertezas, palpites e expectativas sobre um resultado que pode não acontecer.


Por essas limitações, IPOs não são a melhor alternativa para iniciantes no mercado de ações. Podem ser ótimos negócios para investidores mais experientes e conhecedores das empresas. No máximo, pode representar uma pequena parcela de especulação na carteira de iniciantes.


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O conteúdo disposto neste artigo foi originalmente publicado no blog do BTG Pactual Digital, sendo toda a responsabilidade, direitos autorais e crédito devido a seus autores.