O que é reserva de oportunidade e como utilizá-la da melhor maneira


O mercado de investimentos é imprevisível e, por isso, uma boa chance de investir pode surgir a qualquer momento. Para tentar garantir o aproveitamento desses períodos, alguns investidores montam a chamada reserva de oportunidade.


Na teoria, essa estratégia poderia funcionar bem e até apresentaria diferenciais para quem deseja fazer o dinheiro render. Porém, uma reflexão aprofundada pode demonstrar que a alternativa não é tão interessante quanto parece.


Neste conteúdo, explico por que a reserva de oportunidade pode não ser a melhor escolha. Confira!


O conceito de reserva de oportunidade

Antes de avaliarmos se a reserva de oportunidade é ou não adequada, é preciso entender o que ela representa, na teoria. Primeiro, é preciso diferenciá-la da reserva de emergência, que funciona como um mecanismo de segurança para o caso de imprevistos financeiros e no orçamento.


Elas têm algumas semelhanças em sua estratégia, que consiste em deixar um montante aplicado em um investimento que seja líquido e seguro. Contudo, a intenção é diferente: nesse caso, a ideia é criar uma reserva de valor para fazer investimentos quando surgirem oportunidades.


Esse montante pode ser usado, por exemplo, em um período de queda do mercado. É o que teria acontecido com um investidor que usou sua reserva de oportunidade na queda da bolsa de valores provocada pela crise do coronavírus. Nessa situação, a aquisição de ações seria mais barata.


Leia também: 3 investimentos de baixo risco para sua reserva de emergência


Os problemas de utilizar a reserva de oportunidade

Para muitos investidores, faz sentido manter recursos separados, rendendo algum dinheiro, até que possam ser usados em oportunidades melhores. No entanto, considero que essa estratégia apresenta alguns problemas.


Veja os três principais:


Sub alocação durante a espera

Pensando no conceito da reserva de oportunidade, é necessário deixar o dinheiro investido em uma alternativa líquida e segura. Isso porque você precisará dos valores se surgir uma condição potencialmente favorável.


Entretanto, a medida exige que o montante permaneça mal alocado enquanto a oportunidade não aparece. Pense no exemplo do investidor que esperou a crise financeira de 2020 para entrar no mercado.


Ele teria ficado diversos anos fora do mercado e perdido a valorização ocorrida com o crescimento da bolsa. Lembre-se de que o avanço se manteve ao longo do tempo, sem uma grande queda no período.


Portanto, o investidor teria perdido a chance de receber dividendos e de explorar a valorização em relação ao que foi alocado inicialmente. Na prática, isso significa que há mais oportunidades perdidas que aproveitadas.


Essa sub alocação é problemática porque faz com que o retorno do portfólio de investimentos talvez seja menor, considerando o longo prazo. Então, ainda que você passe por uma situação positiva, poderá ter um retorno médio menor devido à espera pela oportunidade ideal.


Impossibilidade de prever o futuro

Como visto, a ideia dessa reserva é deixar o montante financeiro investido em outra alternativa até que apareça uma boa chance. Porém, em razão da imprevisibilidade do mercado, não há como saber quando essa oportunidade surgirá


Por exemplo, pode haver uma subida da bolsa de valores muito longa, sem perspectiva de queda. Enquanto isso, seu dinheiro estará em aplicações financeiras menos rentáveis, aguardando um momento que você não sabe quando ou, até mesmo, se acontecerá.


Afinal, não há como prever por quanto tempo ocorrerá uma subida, do mesmo modo que não é possível antecipar uma crise. Para completar, tentar adivinhar o futuro pode levar à perda de oportunidades de investir e acumular capital.


Imagine que o crescimento de mercado dure 5 ou 10 anos, mas você está aguardando uma queda para investir. Na prática, isso significa que você perdeu todo esse tempo de ganhos acumulados ao manter o dinheiro investido em uma alternativa menos interessante.


Dificuldade para reconhecer oportunidades

Na teoria, a reserva de oportunidade prevê que quem investe será capaz de identificar o momento de baixa para aproveitá-lo e, potencialmente, maximizar os ganhos. O problema é que essa identificação raramente acontece na realidade.


Isso se deve ao fato de que é fácil olhar para trás e reconhecer uma situação em relação às quedas e ao aparecimento de oportunidades. Todavia, na hora que elas acontecem, o processo não é tão simples de se identificar.


Dessa maneira, é difícil saber como utilizar a queda a seu favor porque, muitas vezes, não há como ter certeza de que o mercado está caindo. Principalmente, não é possível prever até onde ele cairá e qual será o menor valor alcançado.


Retornando ao exemplo da queda da bolsa causada pela pandemia, pense em um investidor que tinha uma reserva de oportunidade naquele momento e decidiu usá-la. Quando a bolsa passou de 120 mil pontos para 110 mil pontos, ele pode ter explorado o movimento com parte do dinheiro.


Depois, ao notar a queda até 100 mil pontos, poderia ter usado o que restou. Porém, a queda foi ainda mais acentuada, chegando a pouco mais de 60 mil pontos. Nesse caso, provavelmente o investidor não teria mais recursos para explorar a alternativa.


Por consequência, ele teria passado um tempo considerável sub alocado e, no final, não também não conseguiria aproveitar o movimento completo. Afinal, ninguém é capaz de saber qual é o ponto mínimo, para saber exatamente quando fazer investimentos.


Assim, a execução da reserva de oportunidade não acontece com tanta clareza ou com tanta eficiência e desempenho como seu conceito sugere.


O aproveitamento de oportunidades de investimentos

Embora acredite que a reserva de oportunidade não funcione tão bem na prática, isso não significa que o investidor não deve buscar e capturar boas chances que surgirem. A diferença é que penso não ser necessário dedicar tanta energia a criar e manter uma reserva de oportunidade significativa.


Em vez de focar somente nas quedas de mercado, pode fazer mais sentido buscar uma alocação que seja consistente com seu perfil de investidor. Nesse caso, há um aproveitamento da valorização ocorrida ao longo de todo o período de investimento.


Mesmo quedas aceleradas podem ser exploradas — apenas não dependem, necessariamente, da reserva de oportunidade. Tenha em mente que, com um bom planejamento financeiro, o investidor consegue manter seus aportes mensais.


Assim, se a oportunidade surgir, poderá usar esses recursos para aportar em condições melhores. Tudo isso sem precisar deixar o dinheiro sub alocado e sem tentar prever o futuro.


Como foi possível notar, a reserva de oportunidade pode não ser tão interessante para conquistar os resultados desejados. Em vez disso, unir uma estratégia de investimento sólida a um planejamento financeiro robusto pode ser a alternativa ideal.


Caso deseje aproveitar boas chances no mercado mesmo sem essa reserva, veja como encontrar oportunidades da bolsa diante da queda de ações!


André Bona:

Com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, ensinando milhares de pessoas a investirem melhor, Bona é professor, palestrante e parceiro de conteúdo do BTG Pactual digital.



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