BNDES vende tudo: já se desfez de R$ 35 bi desde dezembro


Há uma crítica que não pode ser feita ao BNDES: a de timing de mercado. Desde que a bolsa se aproximou de suas máximas históricas — e ainda com uma pandemia no meio —, o banco já levantou quase 35 bilhões de reais com venda de participações em empresas abertas. A BNDESPar engatilhou seus papéis para disparar os negócios com o Índice Bovespa sempre próximo dos 100.000 pontos ou acima. Coincidência ou não, foi o que aconteceu. Em dezembro, foram 2 bilhões de reais em Marfrig; em janeiro, saíram da carteira 450 milhões de reais em ações da Light; e em fevereiro, foi a vez dos 23 bilhões em ações da Petrobras. Veio a pandemia e um intervalo. Em julho, o banco garantiu 1,2 bilhão de reais com AES Tietê; e hoje, foram os papéis da Vale, que movimentaram 8,3 bilhões de reais.


A venda de hoje, segundo o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, foi o maior block trade — uma venda direta em bolsa — realizado na América Latina. Em nome da BNDESPar, o Bank of America Merrill Lynch (Bofa) levou ao mercado uma oferta de 100 a 130 milhões de ações ordinárias da Vale, ao preço mínimo de 58,76 reais.


Em pouco menos de 2 horas, os investidores compraram toda posição oferecida e mais um tanto por um preço apenas 4% abaixo da máxima histórica do papel. Foram alienadas mais de 137 milhões de ações (2,5% do capital da mineradora), ao preço de 60,26 reais — a arrecadação ficou 700 milhões acima do teto pretendido na largada, pela manhã. “Animal” foi o adjetivo que mais se ouviu para qualificar o que aconteceu na manhã desta terça-feira na B3.


Após o leilão de bolsa desta manhã, a BNDESPar ficará ainda com 3,6% da Vale, equivalentes a 11,5 bilhões de reais. Mas dessa fatia, 2,3% estarão disponíveis para novas vendas somente após novembro, com o fim do acordo de acionistas.


“Mais importante do que as crifras desse marco histórico é ter o BNDES se reposicionando e voltando suas energias, conhecimento e recursos para o desenvolvimento sócio e ambiental do nosso país”, disse ele em uma publicação na sua conta no LinkedIn. “A função do BNDES é sim gerar muito lucro para nossa sociedade: lucro ambiental! Lucro social! O lucro socioambiental muda uma nação. É por isso que esse banco foi fundado e é para isso que estamos aqui.”


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