Após 3 IPOs com ajustes, investidor corta valor da Compass na largada


Os últimos três IPOs realizados na B3 sofreram pressão dos investidores. Depois de a incorporadora Lavvi e das farmácias Pague Menos terem de reduzir o valor que pretendiam conseguir, nem mesmo a cobiçada Petz, a rede de varejo de produtos para animais de estimação, alcançou o sucesso de sair no topo da faixa sugerida de preços — teve de aceitar o meio. Para completar o quadro de recados desse tal mercado, a Cosan recebeu um “choque de realidade” na largada do processo de apresentação da Compass, que controla a Comgás.


A holding de Rubens Ometto queria que a Compass fosse avaliada entre 19 bilhões de reais e 20 bilhões de reais antes da entrada do dinheiro novo da oferta inicial de ações. Nesse preço, o plano era levantar 5 bilhões de reais em dinheiro novo, essencialmente para aquisições e novos projetos.


A resposta dos investidores, então, foi: “seja muito bem-vinda, mas está cara demais.” Assim, a Cosan manteve 19,8 bilhões de reais de avaliação para seu negócio de gás, mas como teto da avaliação ‘pre-money’ — e colocou o piso em 16 bilhões de reais. A faixa de preço para as ações ficou entre 25,50 reais e 31,50 reais, o que significa estrear na B3 após a captação entre 19 bilhões de reais e 24 bilhões de reais — o plano original era um intervalo entre 24 bilhões de reais e 27 bilhões de reais.


Portanto, seja por qual ângulo for, o que era piso virou teto. O jeito foi reduzir a pretensão de dinheiro novo de 5 bilhões de reais para 3,5 bilhões de reais, a fim de evitar uma maior diluição do controle. E o road show oficial só começou nessa semana.


“A 16 bi, já está tudo vendido”, disse um dos envolvidos no processo. Garantir que as ações tenham espaço para se valorizar depois do IPO, ou seja, após a estreia efetiva na B3, se tornou quase uma condição para a fixação do preço no IPO — não só da Compass, de qualquer outro. Com mais de 50 operações engatilhadas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nenhum banco de investimento quer colocar essa questão como empecilho.


Do lado dos investidores, há uma tentativa de deixar claro que não se pode abusar das circunstâncias. Tudo bem que o fluxo de dinheiro para a bolsa não para de chegar. Em uma conta de padaria que soma captação de fundos de ações, multimercados e aplicações diretas pelas pessoas físicas, são quase 200 bilhões de reais neste ano.  Mas, calma lá!



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